Essa frase, da feminista Gloria Steinen, certamente ilustra muito bem o que é se definir feminista em um mundo que passa por mudanças e por uma grande onda de conservadorismo.

Talvez não consiga me lembrar o exato momento em que me identifiquei como feminista, mas me lembro de inúmeros momentos de raiva em que eu consegui enxergar muito bem porque o feminismo não só é necessário, como me libertou de várias amarras que eu nem sabia que possuía.

Graças ao feminismo e à compreensão de que meu lugar é onde eu quiser e de que ninguém tem o direito de me diminuir, fui capaz de levantar minha voz e dar um fim a ciclos de abusos em situações de trabalho ou mesmo em amizades com alguns homens. Ainda que eu entenda que sou uma pessoa privilegiada em vários sentidos, principalmente por ter tido acesso à educação e viver em uma cidade com uma qualidade de vida acima da média do país, o acesso à educação por si só não rompe com concepções enraizadas de que somos de alguma forma inferiores.

Por isso, é extremamente significativo que eu tenha sido convidada algumas vezes a falar em eventos justamente por eu ser quem eu sou e não a pessoa que a sociedade espera que eu seja. Por mais óbvio que isso possa parecer, não é óbvio para uma grande parte das mulheres, independentemente do seu nível cultural ou social, que elas têm o direito de não se submeterem a certas imposições.

O Brasil é um país de proporções continentais e com níveis de desigualdade sociais abissais, por isso, é compreensível muitas mulheres sequer tenham acesso à ideia de que podem ser independentes, pois não podem. Nesse sentido, como apontado pela cineasta Eliza Capai em seu documentário No Devagar Depressa dos Tempos, e pela quadrinista e pesquisadora Carolina Ito em sua HQ Estilhaços, ações sociais como o Bolsa Família propiciaram a emancipação de mulheres em situação de extrema pobreza nas cidades amparadas pelo projeto.

Ou seja, é um caminho longo e tortuoso para levar às mulheres a concepção de que são seres humanos com os mesmos direitos que seus companheiros. Mesmo não entrando nos méritos dos números, que são facilmente verificáveis em sites da ONU, IBGE, Secretarias de segurança pública dos estados e da OMS, não é possível ignorar que a violência contra a mulher opera em todos os âmbitos de nossas vidas, do momento que nascemos até o dia de nossa morte. E não se trata de fazer “um vestibular de sofrimento”, como já ouvi homens falarem, se trata apenas de ter direito a se desenvolver como um ser humano autônomo, com acesso a direitos básicos que ainda nos são negados.

Se existe algo que podemos fazer para ajudar mais mulheres a encontrarem sua voz e tomarem as rédeas de suas vidas é justamente inspirá-las por meio de exemplos práticos. Eu nunca imaginei que receberia mensagens de outras mulheres agradecendo por eu colocar em palavras aquilo que sentem e não conseguem expressar. Minha voz eu encontrei na escrita e é uma grande motivação saber que o meu discurso serve de inspiração para outras mulheres.

Outras mulheres, como as que conheci no evento organizado pelo site Juicy Santos no evento Mulheres que Causam, encontraram sua voz por meio do empreendedorismo, da literatura ou do esporte. Encontrar uma forma de superar os silenciamentos aos quais somos submetidas diariamente é desafiador, mas se não rompermos com esses silêncios, nada muda e mudanças são incômodas para quem goza de privilégios garantidos pela manutenção de um status quo que é hegemônico. Sobre isso, essa fala da mestre em filosofia política Djamila Ribeiro é extremamente necessária para a compreensão do que é o silenciamento de grupos minorizados e por que isso precisa mudar:

Por isso, quando penso no quanto somos ainda entendidas como histéricas, só posso pensar no quanto uma ideologia dominante se vale da ideia de que não temos o que falar e com isso, insiste em nos calar e nos dizer que nossa luta e inútil. Se valem de teorias, que sempre foram produzidas por integrantes de um grupo historicamente dominante, na tentativa de justificar que a busca por representatividade, por exemplo, seja ela nos espaços científicos, políticos ou na produção cultural, não passa de uma manobra de quem não possui identidade e precisaria de exemplos externos para se sentir representada, quando na verdade, se trata de uma luta por visibilidade em espaços que insistem em nos manter invisíveis.

Sei que esse texto não alcançará um número significativo de pessoas que talvez precisem entender que uma sociedade mais justa se constrói a partir de ações que viabilizem acesso a direitos iguais a todos os seus cidadãos. Isso passa por discussões em todos os âmbitos de nossas vidas, já que machismo e misoginia são problemas estruturais. Ainda assim, deixarei alguns links que podem ajudar aos interessados a refletirem sobre suas posturas e, quem sabe, mudá-las.

https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fjuicysantos%2Fvideos%2F1259948397374557%2F&show_text=0&width=560

Sobre a histeria de que somos acusadas, o filme Estrelas Além do Tempo (Hidden Figures, 2016), possui várias cenas que ajudam a entender que não há nada de histérico em nossas ações, há apenas uma tentativa de nos fazer ouvir quando tantas pessoas insistem em querer que sejamos excluídas. Como mencionado por um dos atores, ao lembrar uma fala de Malcon X, estes espaços não nos serão entregues de boa vontade, é preciso toma-los à força. Em uma das cenas, a personagem interpretada por Taraji P. Henson, Katherine Johnson, é advertida por seu chefe por se ausentar todos os dias por cerca de 40 minutos em uma fase do projeto espacial da NASA que exigia dedicação integral de seus pesquisadores. Nesse momento, Katherine tem uma explosão que se fosse presenciada fora de contexto, seria rapidamente interpretada como uma atitude histérica. No entanto, o que o diretor do projeto não sabe, é que sendo negra nos anos 60, Katherine era vítima da segregação racial que previa uso de banheiros exclusivos para negros e estes se encontravam a uma distância muito grande de seu posto de trabalho. Ou seja, passando por uma situação de abuso todos os dias, precisando atravessar de um lado a outro, muitas vezes debaixo de chuva, todos os dias, apenas para poder usar o banheiro, quando é chamada a atenção, ela simplesmente expressa o que ninguém imaginava que acontecia a ela.

Essas microagressões que sofremos todos os dias, são acumuladas ao longo da vida e no momento que nos indignamos com elas, somos taxadas de loucas, agressivas, ainda que nenhum homem tenha morrido por isso, mas nós sejamos vítimas de crimes “passionais” em números assustadores anualmente.
https://www.facebook.com/plugins/video.php?href=https%3A%2F%2Fwww.facebook.com%2Fkaolcaradeboi%2Fvideos%2F1429598300406756%2F&show_text=0&width=400

Por isso, se meu discurso desagrada aos homens, eu repito mais uma dessas frases de efeito que ilustram o que penso: Não me expresso para que as pessoas que pensam diferente de mim concordem comigo, mas para as que pensam como eu saibam que não estão sozinhas. É graças a essa certeza que nos fortalecemos cada vez que encontramos exemplos de mulheres que romperam com as barreiras que lhes são impostas. É por meio da representatividade que eu percebo ser capaz de realizar feitos além daqueles que eu fui levada a acreditar que poderia.

Há algo de muito libertador em pensar na frase que diz que nunca é alto o preço a se pagar por pertencer a si mesmo, pois foi graças a ela que criei coragem pra enfrentar e levantar minha voz aos abusadores de plantão. Se gritam comigo, grito mais alto. Sei que nem sempre é possível fazer isso, visto que homens contrariados se tornam muito agressivos, matam, estupram, humilham, mas nas vezes em que isso for possível, devemos levantar nossas vozes sim. Irão nos chamar de loucas, vagabundas, irão nos ameaçar, irão nos diminuir, porque a violência é o argumento de quem não tem argumentos, mas iremos nos levantar, por mais cansativo que isso possa parecer.

Deixo aqui páginas e textos que são úteis a todos que desejam uma sociedade mais justa para quem está vindo depois de nós.

http://www.bbc.com/portuguese/geral-39161311


https://www.facebook.com/casadamaejoannaCDMJ/

https://www.facebook.com/thinkolga/?hc_ref=NEWSFEED

https://www.facebook.com/revistaazmina/

https://www.facebook.com/NaoKahlo/

http://minasnerds.com.br/2017/01/31/voce-ja-e-feminista-ainda-bem/

http://www.onumulheres.org.br/noticias/em-todo-o-mundo-as-mulheres-ganham-menos-que-os-homens/

http://interactive.unwomen.org/multimedia/infographic/changingworldofwork/en/index.html

Brasil é o 5º País em assassinato de mulheres
de 2003 a 2013 subiu em 54% o assassinato de mulheres negras
527 mil estupros acontecem por ano, estima-se que apenas10% sejam notificados
4,8 assassinatos de mulheres são cometidos a cada 100 mil habitantes. É o dobro da média mundial
O que dá 13 femicídios por dia
De 15 a 29 anos é a idade mais perigosa para se ser mulher no Brasil
Metade dos assassinatos é cometido por familiares
70% dos estupros é cometido por homens do circulo de afeto da vítima: namorados, conhecidos, colegas de trabalho, parentes
70% das vítimas de femicídio são crianças e adolescentes
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Sou feminista! Ele disse que nem feminista eu era.
Sou pesquisadora, ele disse que eu sou pseudointelectual
Sou colaboradora de sites, me chamou de pseudojornalista
Eu errei, me xingou de oportunista
Eu não mencionei minha fonte, ele disse que sou rasa
Eu mencionei referências, ele disse que eu só quero engordar o currículo
Mostrei dados, ele disse que não concorda
Fui aprovada em publicação internacional, “ah, qualquer um publica naquele jornaleco”
Ganhei prêmio literário, grande bosta! Seu texto é muito jornalístico
Trabalhei como intérprete para quadrinista estrangeira, “você gosta de lamber a bunda dos gringos”
Elogiei a moça que faz vídeos sobre quadrinhos, “só porque ela tem uma vagina?”
Apontei fatos, ele disse que são falsos porque ele nunca viu nada parecido
Fui ameaçada, ele perguntou se eu tinha provas
Fui estuprada, ele perguntou que roupa eu usava. “Você só quer aparecer”.
Eu disse que sou liberada sexualmente, ele disse que sou vagabunda
Eu disse que sou reservada, ele disse que sou moralista
Eu sorri, me acusou de ser falsa
Eu discordei, me acusou de ser arrogante
Fui gentil, “puxa-saco! Canalha! Gosta das coisas fáceis.”
Elogiei trabalho do colega, “você quer aplausos, quer biscoito”
Divulguei o trabalho das quadrinistas,” você e sua vaginolatria”
Falei mais alto, “quem você pensa que é? Sua idiota!”
Prestei concurso, “não vai passar. Você é burra”
Passei no concurso,” lógico que passaria, sabe puxar o saco”
Escolhi um tema para escrever, “mais do mesmo, superficial”
Falei de temas em comum,”está me plagiando”
Falei sobre os dados da violência nas varas de família do país, ele disse que ele trabalha no fórum da cidade há muitos anos e que eu uso falsos dados em prol de uma bandeira
Comentei sobre o número de estupros no Brasil, ele disse que eu não sabia fazer contas, apresentando os dados da Secretaria de segurança de um único estado
Recusei a explicação, “você é louca”
Aceitei a explicação,” aceita o machismo quando convém”
Concordei com tudo e disse o quanto ele era inteligente.
Ele acreditou: “é assim que se faz! Você aprendeu. Mas venha aqui, sabe que toda mulher gosta de apanhar, né?”
Eu morri. Ele disse: “Já foi tarde!”

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Entre os assuntos recorrentes que giram em torno do feminismo e o acesso de vários grupos a uma comunicação não hierarquizada, como é o que ocorre nas redes sociais, o empoderamento é certamente um deles.

No sentido em que estamos mais acostumados a sermos expostos, empoderamento se refere ao crescimento/desenvolvimento da autonomia e autodeterminação de pessoas ou comunidades de forma que possam agir e representar seus próprios interesses livremente e com igualdade em relação aos demais integrantes da sociedade. Esse conceito, embora relativamente novo no Brasil (minha versão do word nem reconhece a palavra), tem sido extremamente recorrente em discursos feministas que circulam pela rede.

Por que temos falado tanto sobre isso? Por que é importante que nos sintamos empoderadas? Por que é importante que nos posicionemos?

Bom, há cerca de um ano eu tenho me envolvido em eventos, discussões, grupos, brigas e toda sorte de ocorrências que me fizeram mergulhar em uma verdadeira viagem de autoconhecimento, auto aceitação e acima de tudo, de compreensão do outro, ou melhor, compreensão das outras.

Comecei a ter um contato próximo com muitas mulheres que produzem quadrinhos, conheci experiências e mais experiências e percebi que as mudanças que tenho sofrido são na verdade algo compartilhado.

Se, por um lado, a imprensa apaga dizeres sobre o feminismo e evidencia discursos patriarcalistas, as redes sociais virtuais constituem-se, então, como um espaço de confronto a esses discursos hegemônicos. A popularização da internet contribuiu para fazer circular massivamente discursos de valorização do feminismo. (Blogueiras feministas e o discurso de divulgação do feminismo no ciberespaço, de Quézia dos Santos Lima)

Por isso, quando repito a máxima de que não compartilho o que penso para mudar a opinião dos que pensam diferente, mas para que as pessoas que pensam como eu percebam que não estão sozinhas, é porque esse empoderamento não acontece sozinho: entre os depoimentos que ouvi quando encontrei quadrinistas brasileiras para um bate-papo com a artista e historiadora de HQs Trina Robbins, algo repetido por quase todas as presentes foi que saber que existem outras mulheres na mesma situação que você e poder compartilhar suas experiências é algo reconfortante porque elas sabiam que não estavam sozinhas.

Em uma sociedade machista e patriarcal que tenta lhe ditar como se portar, como se sentir, o que dizer, o que pensar, é extremamente frustrante tentar ter sua própria voz. Sabemos o que é ser apagada da história e ter sua voz constantemente silenciada. Se hoje gritamos e parecemos raivosas quando nos referimos a uma cultura do estupro, é porque há décadas ninguém nos ouve e se não fosse pelo advento da internet, ainda não seriamos ouvidas.

Então, a despeito do que algumas pessoas dizem sobre grupos exclusivos femininos, o que aprendi é que nenhuma de nós se sente segura em ambientes mistos. Se as redes sociais propiciam o surgimento desses espaços é justamente porque se fazem necessários. Existe um argumento ingênuo e superficial de que ações exclusivas de mulheres ou de qualquer outro grupo marginalizado, além de segregatórios, podem levar a consequências como o nazismo. Oi? Se existe hoje um grau de violência crescente em nossos discursos, isso só ocorre porque até o momento, diante dos quase CINQUENTA MIL ESTUPROS registrados por ano no Brasil, a civilidade não se mostrou muito eficiente, vide o recente estupro coletivo noticiado nas redes. O que significa que a menos que os homens parem de estuprar e matar por motivos “passionais”, as mulheres, obviamente, ficarão cada vez mais insatisfeitas, o que nos remete àquela lei básica de física: TODA ação gera uma reação inversamente proporcional. Ou seja, o pior que pode acontecer, no pior cenário, é que as mulheres passem a tratar os homens como têm sido tratadas, o que é algo muito, muito diferente de nazismo, não é mesmo?

Grupos secretos e autoestima

Voltando às redes sociais, bom, como havia mencionado, o simples fato de uma mulher se posicionar diante de diversas situações delicadas é o suficiente para que haja identificação por parte das mulheres que fazem parte de sua rede de conhecidos. Essa identificação é relevante porque possibilita que mulheres fragilizadas se sintam à vontade para expor situações de abusos que não são capazes de expor a pessoas próximas, por exemplo.

Nesse sentido, grupos secretos de todos os tipos têm exercido um papel fundamental no auxílio, conforto e fortalecimento de mulheres. Grupos que abordam desde amenidades e maquiagem a grupos sobre transtornos psiquiátricos, maternidade ou sexualidade, têm se mostrado ambientes propícios para a troca de experiências responsáveis pelo aprofundamento do conhecimento sobre certos temas e de fortalecimento da autoestima das integrantes desses grupos.

Sendo participante ativa em diversos deles, eu mesma já aprendi coisas que me dizem respeito e que jamais tomaria conhecimento de outra forma, porque além da opressão a qual somos submetidas a vida toda para que nos encaixemos em determinados padrões, existem uma série de assuntos tabus que só encontram espaço de discussão nesses ambientes:

– Em grupos de cultura pop e nerd, certamente um dos pontos recorrentes nesses grupos é o fato do universo nerd reproduzir atitudes e discursos tão machistas e intimidadores que grande parte das mulheres não se sente à vontade para comentar em páginas mistas, pois sabem que serão hostilizadas. Por isso, em grupos exclusivos podemos não só discutir sobre nossos jogos, filmes e quadrinhos favoritos, como também discutir sobre as atitudes que estamos cansadas de vivenciar. Um efeito positivo instantâneo que se observa é que ao falarmos sobre atitudes problemáticas muitas meninas entendem e percebem que muitos dos seus amigos reproduzem estas atitudes e assim, através da interação com pessoas que já passaram por situações parecidas, elas conseguem se fortalecer e agir contra o problema. A diminuição constante de nossas conquistas, falta de espaço, o eterno silenciamento e apagamento de nossas vozes e produções, o assédio, os xingamentos, as perseguições, são atitudes que procuramos combater e interagindo com outras meninas, buscamos possíveis meios de evitar que esses comportamentos se perpetuem.

– Em grupos para portadoras de transtornos psiquiátricos, além da troca de informações constantes sobre estigma, problemas, dicas, existe uma ação de valorização da vida que acredito se aproximar do que é feito no CVV nos casos de tentativa de suicídio. As integrantes se unem em prol de quem está com maiores problemas, conversam, se disponibilizam a falar pelo telefone na tentativa de acalmar uma colega. Mulheres que se sentiam sozinhas e não tinham com quem falar sobre suas crises, encontram outras que já passaram pelos mesmo problemas, mostrando assim, que é possível superar um momento complicado.

– Em grupos sobre sexualidade é possível se abordar qualquer tema que gire em torno do prazer ou mesmo, sobre o direito a não exercer sexualidade alguma. Conversas que vão desde plugs anais a práticas sadomasoquistas à exposição de casos de estupros, favorecem um diálogo aberto, sem preconceitos sobre assuntos que são de interesse feminino. Muitos desses grupos só aceitam integrantes por indicação de algum membro no intuito de preservar quem precisa de um espaço reservado para expor temas como aborto, por exemplo. Muito embora a busca do prazer e os meios para se obtê-lo seja o objetivo central desses grupos, nem sempre as discussões são tão agradáveis: um estudo detalhado comprovaria facilmente que ainda existe muita coisa que não se sabe sobre o prazer feminino, prova disso são debates que mostram que a maioria das mulheres com vida sexual ativa não sente prazer e não tem orgasmo em grande parte de suas relações. Existe ainda um estigma muito grande em relação ao que seria esperado de uma mulher “direita”, ou em outras palavras, “bela, recatada e do lar”. Mulheres falam sim sobre sexo, claro, mas o nível de aprofundamento dessas conversas, principalmente entre mulheres que se encontram em relacionamento estável, é bem superficial. Em discussões acaloradas com amigos sobre a razão das mulheres não se sentirem à vontade de falar abertamente sobre sexo, cheguei a ser chamada de covarde, mas bem, mais uma vez, os números indicam que ainda somos vistas como meros objetos para apreciação e consumo. Sabemos muito bem o tipo de violência que iremos sofrer cada vez que indicarmos que gostamos (ou não) de sexo. Infelizmente, a vida em rede também acaba por exacerbar comportamentos abusivos, o que significa que a menos que eu queira minha caixa de mensagens lotada de todo tipo de impropério (um homem não aguentaria lê-los em voz alta), é melhor que eu finja indiferença, mas veja, apenas o suficiente para não indicar que eu seja assexuada, o que seria um problema ainda maior. Pessoas que não sentem atração por outras são tratadas de forma ainda mais agressiva que as pessoas que não maníacas por sexo, por exemplo. A sociedade pode tolerar uma pessoa viciada em sexo, mas jamais uma pessoa que não sinta vontade de fazer, a exemplo do tipo de tratamento dispensado às mulheres que não querem ter filhos ou que se posicionam a favor da descriminalização do aborto.

Isso nos leva ao próximo grupo – grupos de maternidade. Conhecidos pelo altíssimo grau de competitividade entre suas integrantes, esses grupos também podem trazer à tona certos assuntos velados como a melancolia puerperal (baby blues). Esse estado acomete TODAS as mães no momento pós-parto e por algum tempo depois, podendo ou não se transformar em uma depressão pós-parto. O fato é que ninguém fala a respeito, porque obviamente, as mães, seres em estado de graça eterna, não podem se sentir incapazes e exaustas diante da responsabilidade de criar um ser humano novo. Existem outros inúmeros problemas sobre o que não se fala sobre a maternidade e sobre o que se espera de nós nesse momento, mas só isso daria um outro texto gigantesco.

Esses são apenas alguns grupos dos quais tenho conhecimento e participo e sei que existem milhares deles por aí, por isso, posso dizer com alguma propriedade, que se não fosse por eles, muitas mulheres não tomariam conhecimento sobre seus corpos, sobre seus direitos, sobre o quanto são incríveis, porque, apesar do esforço constante em nos diminuir, em querer nos encaixar em padrões impossíveis, nós somos maravilhosas.

Muitos desses grupos promovem encontros presenciais, que somados aos debates virtuais, se caracterizam como ações que têm se mostrado fundamentais para o fortalecimento dessas mulheres e para que consigam mudar suas perspectivas em relação a si mesmas, tomando as rédeas de diversas situações e principalmente, tomando decisões mais conscientes em todos os âmbitos de suas vidas.

 

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Morar na praia tinha suas vantagens. O mar sempre tão perto parecia levar meus problemas pra longe de vez
em quando, por isso me habituei a contemplá-lo todos os dias.
E todos os dias pareciam iguais até aquele dia. O dia em que centenas de baleias apareceram mortas na praia. Na minha praia. O que nãofazia o menor sentido uma vez que baleias não costumam passar perto dali, ou não passavam até então. Foi horrível. O noticiário mostrou a mesma imagem por dias.
Semanas depois, uma outra baleia apareceu encalhada, mas não estava morta. A população tentava ajudar como podia, com toalhas molhadas, baldes… Até que o vira pela primeira vez, não sabia como chamá-los…. Enfim, no meio do tumulto uma espécie de caminhão-tanque-anfíbio gigante apareceu… Todo branco. Lançou uma grande rede, recolheu a baleia e em questão de segundos desapareceu no mar. Minutos depois, foi possível ver a baleia ser solta e levantar sua cauda como quem diz adeus… Lindo! O público foi ao delírio, aplaudindo e gritando, feliz com a ideia de que aquele enorme tanque havia salvado o lindo animal.
Por algum motivo que os biólogos e eco-chatos de plantão não sabiam explicar, a mesma cena continuou a se repetir por dias, semanas… Eu simplesmente assistia a tudo como quem assiste a uma peça de teatro de camarote. A ficha demorou a cair. Aquela cena repetida, dia após dia parecia ter saído de um livro de histórias surreais, coisa além da imaginação. Milhões de teorias apareceram e eu simplesmente assistia a tudo, sem entender.
De minha janela tinha uma perspectiva privilegiada e como não estava trabalhando, podia observar cada detalhe minuciosamente. Foi assim, observando todos os dias que passei a notar algo de diferente e comecei então a juntar as peças desse intrigante quebra-cabeça: Notei certo dia que toda vez que a baleia era libertada, todas elas, sem exceção faziam o mesmo movimento com a cauda. Até aí, nada de mais. Também notei que toda vez que uma baleia era solta, minutos depois um enorme navio branco saia de trás da ilha que havia na baia. O mesmo navio branco, todos os dias. Um navio diferente de todos os outros que estou acostumada a ver seguindo em direção ao porto. Esse navio não tinha bandeira. Não possuía nenhuma indicação de sua função, nome, nacionalidade, nada…. Comecei a ficar cada vez mais curiosa e comprei um par de binóculos. Sabia que havia alguma coisa de muito estranha nessa história, mas não tinha evidências do que seria.
Mais de um ano se passou e as baleias não eram mais novidade. Nem os turistas se interessavam mais, mas minha curiosidade se tornou uma obsessão e num dia, como outro qualquer, eu tive a primeira prova de que tudo isso começaria a cheirar muito mal: nesse dia,quando a baleia abanava sua cauda, notei que a imagem do animal havia congelado no ar e logo depois teria falhado como um filme no cinema. Não era possível que só eu tivesse notado aquilo!No dia seguinte, resolvi que deveria tirar toda estória a limpo e discretamente me posicionei atrás das pedras onde sabia que a baleia apareceria.
Não demorou muito e logo todo o circo começou: a baleia encalhou, o tanque apareceu e desta vez eu consegui me aproximar de tal forma que me escondi entre os compartimentos do tanque…. Loucura! Logo ele entraria no mar e eu não sabia o que poderia me acontecer, mas minha ousadia rendeu o maior escândalo que o país já teve nos últimos anos. Para minha sorte, o compartimento no qual eu me escondi, não fora inundado com a água quando o veículo entrou no mar, do contrário, pude abrir uma pequena porta que me levava ao interior do carro-anfíbio e lá eu tive a revelação!Não, não encontrei a “Luz”, não morri e não tive uma conversa com “Jesus”. O que eu ouvi foi muito mais chocante do que isso: Militares conversando sobre a “Operação Holograma”.
Que raios era essa operação afinal?E quando eu poderia sair dali?Será que quando dessem conta de minha presença eu sofreria alguma tortura?Continuei incógnita ouvindo a tudo com muita atenção. Fiquei em estado de choque, mas após tomar conhecimento do que com o que eu estava lidando, eu tinha que dar um jeito de sair do tanque e coletar mais provas do que havia ouvido. Voltei por onde entrei, forcei a escotilha do compartimento e consegui sair, no mar, longe da praia…. Sei nadar,mas depois de uma hora nadando,fiquei sem forças e simplesmente boiei até que algum barco de pescador me achasse. Não demorou muito, me acharam e fui encaminhada ao hospital local sem maiores problemas.
Precisava então descobrir um meio de provar tudo que eu passei a saber.Tenho amigos jornalistas,mas não queria divulgar a notícia sem ter provas concretas de todo o esquema.Comecei a pensar emum plano infalível,me sentia a própria espiã internacional….fui atrás do que havia de mais moderno em tecnologia de comunicação: celulares à prova d’água, micro-câmeras,gravadores… Enfim, tudo que pudesse me ajudar a conseguir as tais provas irrefutáveis de todo esse embuste. Era a história de uma vida!Com certeza mudaria a minha para sempre.
Num dia qualquer, munida de toda a minha coragem fui atrás das provas. Por paranoia ou por precaução,
deixei uma carta num lugar estratégico caso eu não voltasse,explicando o que havia acontecido. Por alguma razão que nunca vou entender, minha mãe achou essa carta antes que eu tivesse tempo de chegar ao tanque. Muito pior que isso, ela achou a carta e preocupada com a minha segurança e sanidade mental, avisou a polícia, que me encontrou antes que eu pudesse entrar no veículo. Obviamente, minha história soou tão absurda que fui submetida a uma avaliação psiquiátrica e finalmente diagnosticada como esquizofrênica.
Hoje conto minha história, porque 5 anos se passaram desde aquele dia e graças a um e-mail que havia enviado a um jornalista local, a verdadeira história da “Operação Holograma” que envolvia uma baleia por dia, veio à tona.
No momento, me preparo para aparecer num programa de TV que se interessou pelo escândalo e pelos detalhes tão sórdidos de todo esse esquema.
Perdi o contato com minha mãe desde que fui colocada no hospital, mas pretendo recuperar minha vida na medida do possível. E finalmente, a verdadeira história viria a público com todos os detalhes que seguem: As baleias eram encurraladas em alto mar,de forma que fossem parar na praia de minha cidade. A cidade fora escolhida principalmente por sua geografia e por não ser uma cidade de muito interesse nacional.Bom,o esquema envolvia os governos do Japão e do Brasil,com tecnologia russa e coreana.Desde que o Japão fora proibido de caçar baleias ( o resto do mundo não caçava mais),o país se viu diante de um grande dilema, já que o óleo de baleia era usado entre outras coisas, como matéria-prima essencial em toda rede de fábricas de cosméticos de última geração e que há muito havia se tornado a principal fonte de renda do país.Não sei de que forma o acordo entre os países fora firmado e nem em que termos, mas o Brasil lucraria muito com o acordo (bom, ao menos o presidente lucraria). As baleias eram enviadas para a praia, em seguida capturadas e levadas ao enorme navio branco. O povo ficava feliz, não questionava e tudo ficava bem. Chegando ao navio a baleia era morta e seu óleo era extraído da forma mais vil que se possa imaginar e enquanto isso, um holograma da cauda do animal era projetado na praia. A tecnologia usada nos veículos era Russo-coreana e obviamente esse países também deviam levar uma parte gorda do acordo. O esquema foi desmantelado, o presidente deposto e os outros países envolvidos agora sofrem sansões apoiadas pela ONU.
Quanto a mim, bom, aprendi muito enquanto estava internada e passei a escrever contos surreais que são lidos em mais de 20 países…. Por razões óbvias, meus livros não são publicados no Japão, na Coréia nem na Rússia, mas com o advento da internet, fiquei sabendo que tenho muitos fãs nesses países também!

            

Ok, talvez ninguém consiga ver uma relação entre as palavras do título, mas eu explico: assisti o filme do Capitão América 2 e achei excelente. Muitas pessoas já haviam comentado, mas eu nunca boto muita fé até assistir com meus olhinhos. O fato é que há uma mensagem forte ali, além do entretenimento e eu gosto demais de filmes que me dizem algo além da diversão. Não vou entrar em detalhes pra não estragar o filme para quem ainda não assistiu, mas saí do cinema pensando no quanto o mundo está cada vez mais caótico e a menos que façamos algo, não há como prever um bom futuro para nenhum de nós.

Por mais que eu tente não me influenciar pelas teorias conspiracionistas que defendem o caos como algo de interesse de poucos que lucram muito, é difícil não pensar que muita coisa seja reflexo de planos detalhados para que as coisas rumem em direção à um determinado fim. Quem assistiu Farenheit 11, de Michael Moore, sabe que muito se lucra com a guerra e com a instalação do medo. É só pensar um pouco: você tem medo todos os dias, até que um dia, depois de perder um parente para a violência ou de ter sido assaltado várias vezes, alguém lhe oferece uma solução que prevê que sua segurança seja garantida através da supressão de sua liberdade. Quantos filmes, livros e HQs não falam à respeito?  V de Vingança, Watchmen, Jogos Vorazes, apenas para citar alguns. Por que não assimilamos estas mensagens?

Aí, entra o menino assassinado, o filme Melancolia de Lars Von Trier e A Vila de M. Night Shyamalan: voltando do cinema, ouço no rádio a notícia de um menino de 11 anos que foi torturado e assassinado pelo pai em Santa Maria, no Rio Grande do Sul. O pai, médico, teve ajuda da madrasta e de uma amiga. Ao que parece, a criança vinha sofrendo abusos com frequência e chegou a ir ao conselho tutelar pedir ajuda. Uma tia disse não ter entendido quando o menino ligava pedindo que fosse busca-lo para tirá-lo de lá. E a mãe do menino? Ela se suicidou bem antes disso tudo, mas agora, desconfia-se que também teria sido morta pelo marido. Chorei muito, pelo menino e por todas as crianças desamparadas que sofrem abusos no mundo. Notícias com crianças me abalam demais. Não sei como alguém consegue ficar indiferente a isso tudo, o que prova que o mundo está cada vez mais doente. Como uma tia não ouve o grito de socorro de uma criança de 11 anos?

Não sou a favor de pena de morte, mas em casos como este, consideraria a punição com o mesmo tipo de tortura empregada à vítima, sem morte, apenas muito sofrimento.

É muito complicado viver em um mundo onde este tipo de coisa aconteça, onde pessoas são escrotas e geram mais pessoas escrotas que não se envergonham em roubar, matar, estuprar, torturar… Ter um filho em um mundo como este é algo realmente assustador. Quando o asteroide se aproxima para dar um fim à Terra no filme Melancolia, talvez o que mais choque é que a fala da atriz Kirsten Dunst faça muito mais sentido do que gostaríamos de acreditar: “Ninguém vai sentir falta deste planeta.” E não vai mesmo! A solução, até lá, é se mudar para a Vilado M. Night Shyamalan, levando apenas aquelas poucas pessoas que lhe são caras e criar os filhos longe mundo que parece estar perdido.

O discurso recorrente de que o ideal seria exterminar um grupo de alguns milhões de pessoas podres para que o restante tivesse alguma chance de reconstruir uma sociedade mais justa, parece extremamente coerente nessas horas, mas sabemos que as coisas não são tão simples assim e que o nazismo é fruto do mesmo ideal: purificação da sociedade. Claro que se a decisão coubesse apenas à mim, não hesitaria em começar exterminando alguns vários políticos sabidamente envolvidos com corrupção e em seguida, estupradores, torturadores…

É nessas horas que os super-heróis fazem muita falta, mas infelizmente, os vilões da vida real são infinitamente mais nocivos do que os das Histórias em Quadrinhos e nossos ídolos são pessoas vazias que defendem valores ainda mais vazios.

Enquanto você se deleita com frases prontas de letras de músicas estúpidas, seus impostos estão lá no jatinho particular do deputado. Enquanto você se aliena, seu vizinho violenta a filha de 5 anos.  Parabéns, você está fazendo do mundo um lugar melhor para se viver.

Quanto a mim, o que tenho são minhas palavras. Talvez não seja muito, mas é que me move e me faz acreditar que possa promover alguma mudança, ainda que muito pequena.

Este é meu segundo artigo para curso “Comics” da universidade de Colorado Boulder. De acordo com o prof. Kuskin, cada página é um poema e ao analisármos este poema, precisamos ter uma teoria e sustêntá-la ao longo do artigo.

O conceito de “closure” não é comun na Língua portuguesa, por isso, se tivesse que fazê-lo em português, provavelmente mudaria o ponto de partida.
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One should never leave things unsaid or undone.  “I need closure!” That’s what we hear all the time in movies. That feeling of leaving something unfinished can consume you from inside out nights and nights in a roll. What have I done wrong? How can I change? How can I go on? It seems that this need for a closure is what moves many of us on and it is not different for Jacob in his Bad Night ofCriminal volume 2.

Although we only have a page to analyze, this one page is all it takes for us to get some ideas that I believe are found in the whole serie of Criminal. In this three by three grid page with a strong noir atmosphere we find Jacob alone in his apartment. He is a cartoonist, whose strips can be seen in the local newspaper every day. He has deadlines and he doesn’t seem to care. Why?

The telephone rings. It’s his editor. He leaves a message because Jacob wouldn’t answer… What is that in his life or in his past that makes him look as he has a burden to carry? He doesn’t seem happy, even if we think that he probably loves what he does, his apartment is dark as it is a reflection of his life.

Maybe we could find some hints about his personality by paying close attention to his cartoon. His name is Frank Kafka and he is a private detective. Would be Kafka his alter ego? After all, his name itself is an allusion to the popular Czech writer who told the strange story of a man who is transformed in a cockroach in his book The Metamorphosis.  A superficial analyze of it would tell us he is a man who looks for a change, but at the same time, he is stuck to an event in his past that doesn’t allow him to move on and yet, he has developed a method to do so:

“I try to always leave a strip in progress, but close to being done… That way, the next day you have something to start right in on because that last panel calls out to you… like an unfinished sentence.” (Brubaker, Criminal: volume 2. P. 3)

 

It is a common sense to think that a work tells us more about the writer than any biography and if we consider so, what led Ed Brubaker to create a comic inside a comic would be to give us some perspective about Jacob using a very original way to make us understand the protagonist’s personality, but even more than that, what Jacob thinks about his methods is exactly what calls our attention to the way he feels.

By taking a look at the fourth panel, we recall one of the lectures of professor Kuskin telling us that one of the reasons why comics can be so appealing is because most of times they also tell us about ourselves, so by letting us know about his method – which is actually Archie Lewis’ – he makes us think about our search for meaning and continuation in our own lives and as in life, this page leaves us with more question than answers, but still, it is exactly what a noir comic is supposed to do.

In order to find some meaning or to make any guesses we need to allow ourselves to sink into each panel and feel all the tension of this thriller-like story: from the first panel to the fourth Jacob is really concentrated in what he is doing even when interrupted by the phone and then, on the fifth he goes away leaving the clock on the sixth panel to remind the reader that it is time to go, but together with the pictures we have his lines explaining why he always leaves something undone, so then he has something to hold on to, as we would like to believe we could do in life. Somehow, it is like his life depends on that sequence of repetitive events and so does ours. He feels safe that way… why? What skeletons is he hiding in his closet?

 Although we may never know the answer for those questions, what we do know is that this need of closure is something relevant for all of us and by leaving something behind we can wake up the next day with a purpose. This need is what makes us hope for something better every day and maybe that is exactly what Jacob longs the most: some closure.

“You can hold yourself back from the sufferings of the world, that is something you are free to do and it accords with your nature, but perhaps this very holding back is the one suffering you could avoid.”

 Franz Kafka

Mini HQ que tive que fazer para o curso de Comics da Universidade de Colorado Boulder através do site coursera.org

https://drive.google.com/file/d/0Bxz1K4B0bREnRFpVbXA3NDVUbU0/edit?usp=sharing